terça-feira, abril 11, 2006

Gorila


Enquanto folheava um dicionário antigo, lembrei-me que um dia deixei -de propósito por entre as páginas de um livro- um tesouro para ser descoberto pelas gerações futuras! Era um avião impresso em papel vegetal, daqueles que saiam nas chicletes Gorila quando eu era criança!! Não sei se se lembram disso, seguramente foi à mais de 20 anos.
Alguns dos blogs por onde passo têm-me despertado sentimentos nostálgicos em relação a coisas de infância. Pois para mim, não há nada mais nostálgico que a chiclete Gorila! Quase que lhe sinto o sabor! Aquilo na altura era um artigo de luxo para mim! E que luxo... Adorava mascar avidamente aquele bem tão precioso...
E hoje que recordo esses momentos, não consigo deixar de pensar como uma simples chiclete traduz tão bem esta sociedade do sec. XXI em que vivemos. O mascar e deitar fora, o retirar todo o sabor para depois cuspir quando já não interessa, o descartável, o efémero, o aqui e agora. E depois? Depois metemos outra pastilha à boca e vivemos novas emoções.
Vivemos como mascamos uma chiclete, retiramos todo o sabor do que temos e depois partimos para outra, outra amizade, outro carro, outra paixão, outra casa, outro numero. O passado? Ficou no lixo! Já não conseguimos espremer nada dele.
É seguramente uma verdade. Acredito que não será a generalidade.

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