sexta-feira, março 24, 2006

Qualidade



Urgências do "S. João" passam para contentores na quarta-feira
Inês Schreck
In JN 24/03/2006

O serviço de Urgência do Hospital de S. João, no Porto, começa a funcionar em contentores na próxima quarta-feira. A Direcção da unidade de saúde garante que as instalações provisórias vão assegurar melhores condições aos doentes do que as actuais, que serão remodeladas até ao final do ano. Naquele espaço vai começar a funcionar, também, a partir do próximo mês, a Urgência Metropolitana de Psiquiatria. A unidade vai concentrar os serviços de atendimento a doentes mentais que até agora funcionam no Hospital de Santo António e no Hospital de Gaia.
Para José Eduardo Guimarães, presidente do Conselho de Administração do "S. João", "a Urgência em contentores nada tem de depreciativo". E, para mostrar isso mesmo, a direcção do hospital guiou, ontem, os jornalistas pelas novas instalações do serviço, que, em termos de atendimento, têm a mesma capacidade de resposta da "velhinha" unidade (uma média de 600 doentes por dia).
O director do Serviço de Urgência, José Artur Paiva, considera a mudança "um salto qualitativo muito positivo em três áreas fundamentais". Primeiro, explicou, os contentores permitem criar circuitos de doentes definidos pela prioridade. Ou seja, haverá três trajectos para três prioridades (de acordo com o sistema de triagem de Manchester): verde, amarelo e laranja. Os doentes realmente urgentes (vermelho) "são encaminhados rapidamente, e sem obstáculos, para a sala de emergência, que foi melhorada em 2004".
Segunda vantagem, continuou o clínico, é a abertura da Urgência Metropolitana de Psiquiatria, que funcionará 24 horas por dia. Este serviço vai contar com dois médicos, destinando-se, sobretudo, a "novos doentes, crises agudas e situações em que o horário não permite contacto com o médico assistente", explicou Fernando Araújo, da Administração Regional de Saúde do Norte.
Por último, adiantou José Artur Paiva, vamos melhorar e tornar mais humanizado o atendimento ao doente e à família. Nesse sentido, foi criada nos contentores uma sala reservada para os médicos poderem conversar com os acompanhantes dos doentes.
As novas instalações terão também um serviço informativo para facilitar a vida aos acompanhantes. Estes são imediatamente identificados e todas as informações aos familiares serão prestadas em local próprio.


É bom verificar que o provisório não tem necessariamente de ser mau e degradante.
Não podemos esconder que a qualidade deste provisório só se destaca devido às deficiências da estrutura passada, mas não é menos verdade que representa um passo em frente no sentido da melhoria da prestação de cuidados de saúde e no reforço das expectativas em relação à solução definitiva.

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